Exposições Anteriores

Ano 2017

30/03 a 06/05

Mata adentro, Montanhas ao longe
Júlio Minervino

MATA ADENTRO, MONTANHAS AO LONGE
por Feres Lourenço Khoury

 

No começar Deus criando

O fogoágua e a terra (...)

 

E Deus disse

Que as águas esfervilhem 

Seres fervilhantes alma-da-vida  

E aves voem sobre a terra

face à face do céufogoágua (...).

 

Bere`shith – A cena de origem

Haroldo de Campos

 

 

 

 

Importante não é ver o que ninguém nunca viu, mas sim, pensar o que ninguém nunca pensou sobre algo que todo mundo vê.

 

Arthur Schopenhauer

 

 

Perto e longe ou dentro e fora a paisagem desponta nos quadros como eventos das cenas da origem. Aqui afloram pinturas onde se projetam tessituras da memória e da alma.

Antes mesmo de ser o repouso dos sentidos, a paisagem é a obra do espírito, segundo Simon Schama. Desse modo o trajeto mental e a apropriação cultural do conceito de paisagem dispõem nos trabalhos um lugar onde se fala dos olhares e valores de um mundo interior, aquilo que Fernando Pessoa chamaria a paisagem da alma.

 Rochas são montanhas ou montanhas são apenas pedras ampliadas? O mato, o matagal, talvez um bosque ou pedaço de floresta, são também portas de entrada de uma trajetória equivocada para a nossa imaginação?

Júlio nos encerra em armadilhas, pois, ao mesmo tempo em que nos oferece o romântico luar, a tranquilidade da pequena garça, o luzir do céu, lança-nos em dilemas da representação, onde efeitos do mato, da pedra, da montanha, subitamente subvertem a noção verossímil da paisagem idealizada.

De fato, se percorrermos os dois conjuntos: as montanhas e o mato, estaremos expostos num labirinto de “janelas” cujas composições estressam o espaço: haverá contrastes a todo tempo... Não haverá calma, nem mesmo um Locus Amoenus. Haverá uma provocação?

Talvez sim...

As pinturas expressam forças pictóricas, cujo embate busca conquistar uma natureza poética, pois como as vemos, são postas na diferença.

Tudo isso é pintura, é pulsação de gestos, é movimento cromático, é expressão da  vontade exposta em narrações visuais, que exige a deambulação do olhar.

(Feres Lourenço Khoury)

 

 

MATA ADENTRO, MONTANHAS AO LONGE
por Julio Minervino

 

Na exposição “Mata adentro, Montanhas ao longe” eu apresento duas séries de pinturas de paisagem realizadas com tinta acrílica sobre tela. Essas duas séries foram construídas simultaneamente a partir de resíduos de memórias de paisagens observadas em tempos passados. São pinturas de exercícios da imaginação nas quais eu trato de duas questões do olhar sobre a paisagem: a imersão e o afastamento.

Na série Mato adentro eu faço uma imersão pelos matagais procurando expressar o ritmo entrecruzado das folhagens e galhadas, na sua manifestação formal;  e seus matizes e nuances sob a incidência da luz, na sua manifestação cromática.

Na série Montanhas ao longe, procuro enquadrar os picos e tratá-los como objetos monolíticos moldando-os com massas de cores mescladas, criando a sugestão do magma em estado de fusão quando dos primórdios da formação e elevação dos relevos geográficos.

Eu resolvi apresentar esses dois conjuntos em uma só exposição pelo antagonismo que se estabelece entre eles nas duas maneiras de abordar a paisagem, ou seja, a aproximação e o afastamento do objeto pintado, o ritmo desordenado e caótico da vegetação em contraposição a austeridade estática da matéria mineral das montanhas, o formal e o informal, o que se apresenta definido e o indefinido, o real e o espiritual, etc.

Na minha percepção, adentrar a mata me põe em contato com a realidade objetiva da existência, ao contrário da contemplação das montanhas que me induz a aceder ao plano da espiritualidade, às névoas do imponderável, ao azul do infinito celestial.

Em suma, pintar a mata é estar em contato com o real e pintar montanhas é estar em contato com o espiritual.

( Julio Minervino)

 

Sobre Júlio Minervino

Júlio Minervino, artista visual e experiente professor atuou nas faculdades Mackenzie-Design e Santa Marcelina. Nos últimos anos vem participando de Workshops, Residências artísticas e exposições  na Dinamarca, Japão e Polônia. Em 2016, publicou  o livro Num véu de água se inscreve a paisagem.

Ano 2016

03/12 a 25/03/2017

Exposição Coletiva

 

O Ateliê Galeria Priscila Mainieri expõe ao público uma seleção de trabalhos de 11 artistas que foram nossos parceiros nas diversas atividades culturais  promovidas ao longo deste ano. A mostra contempla  fotografias, gravuras, pinturas e monotipias  dos artistas André Toral, Carlos Matuck, Claudio Rocha, Cristina Canepa, Julio Barreto, Julio Minervino, Lilian Villanova, Mariza Mainieri, Renata Basile, Rubens Matuck e Sergio de Moraes. Traz também, de seu acervo,  pinturas de 2 artistas alemães: Erwin Legl e Doris Hahlweg.

 
De 03/dezembro/2016, às 13h até 25/março/2017
seg/sex das 11h às 19h e sáb das 11h às 17h
Rua Isabel de Castela, 274 V.Madalena SP

www.ateliepriscilamainieri.com.br

01/09 A 09/10

OBRAS DO ACERVO

A galeria expõe recorte de seu acervo contemporâneo apresentando pinturas, fotografias, gravuras e esculturas de artistas que integram o panorama de arte no brasil e no exterior.

Fazem parte da mostra trabalhos de Cristiano Lenhardt, Cristina Canepa,  Danielle Carcav, Jaime Prades, Kiyoko  Kozawa, Kiyomi Kuriki, Mariza Mainieri, Paulo de Tarso,  Renata Egreja e Renata Basile.

Abertura dia 01 de setembro das 19:30h às 22:30h
 
 
Visitaçao de 02/09 à 09/10, seg a sex das 11h às 19h, sáb das 11h às 17h.
 
 
Rua Isabel de Castela, 274 V. Madalena SP
 

04/08 a 20/08

UM
Ana de Niemeyer . Ana Roberta Lima . Carolina Mossin . Erika Massae . Lilian Villanova . Marcella Madeira . Renata Broetto . Yasmin Guimarães
Organização: BRUNO DUNLEY

 
"O espaço que se pretende aqui é o da invenção e se a pintura não é uma mata virgem, tão pouco é um terreno baldio. Não se trata de cultuar uma possível originalidade, invocar ou recusar uma história, mas sim de entender que a pintura, assim como a vida, está aberta para a criação de outros conceitos e visualidades." Bruno Dunley
 
Priscila Mainieri abre o espaço para a exposição "UM" com a participação das artistas Ana de Niemeyer, Ana Roberta Lima, Carolina Mossin, Erika Massae, Lilian Villanova, Marcella Madeira, Renata Staliano Broetto e Yasmin Dias Guimarães. A exposição "UM" apresenta uma seleção de trabalhos resultantes de dois anos de pesquisas e práticas coordenadas pelo artista Bruno Dunley. Abertura 04/08, às 19:00 hs visitação de 05/08 à 20/08.
 
 
Vila Madalena: r. Isabel de Castela, 274, tel. 3031-8727. Seg a sex., 11h/19h;  sáb., 11h/17h. 

02/06 a 02/07

Pintura sobre Madeira: um suporte, duas visões
Rubens Matuck
Rosely Nakagawa

PINTURA SOBRE MADEIRA : UM SUPORTE , DUAS VISÕES, exposição de pinturas sobre painel de madeira, onde Alice NM constrói naturezas mortas concretizando objetos, tendo como suporte a madeira e a tinta acrílica e Rubens Matuck parte da própria madeira para criar uma ligação essencial da pintura com a natureza viva.

 

Duas gerações de artistas se encontram no  Ateliê Galeria Priscila Mainieri. Alice, filha de Rubens Matuck, sempre acompanhou o pai em seus trabalhos no ateliê, em casa, em exposições. Em seus passeios e brincadeiras desde a infância, sempre estiveram presentes a observação da natureza, a arte, a imagem.

No parque Trianon, a observação das borboletas era registrada em casa com lápis de cor. Observando os desenhos do pai, “corrigia” o que considerava inadequado, sentada em seu colo. Suas primeiras experiências despertaram seu interesse para as artes desde a infância. Na adolescência já sabia que faria artes plásticas e teria seu próprio ateliê. A relação entre pai e filha sempre foi intensa.

Foram juntos à Itália para conhecer o trabalho de Leonardo da Vinci e a arte italiana em 1997. Uma viagem de pesquisa de pintura e historia da arte que seria incluída no trabalho de pintura de Rubens desde então.
O trabalho de Matuck sempre foi pautado pela pesquisa in loco ou em bibliografias que atravessam a rota da seda, chegando ao ocidente pela Itália.
A troca de materiais e livros, mesmo em espaços separados, criou uma afinidade que os aproxima nesta exposição e revela algumas identificações.
A madeira é o suporte comum que denomina suas séries  e os processos opostos enriquecem o resultado.
Alice pesquisa em seu ateliê sem preconceito de técnicas ou temporalidade. O ateliê é um laboratório território aberto, onde tudo é bem vindo e permitido. Nesta mostra, ela apresenta uma série de naturezas mortas, construídas como objetos tridimensionais, tendo como suporte a madeira e a tinta acrílica.
Rubens parte da própria madeira para criar uma ligação essencial da pintura com a natureza viva, reveladas em tonalidades e texturas agregadas ao suporte. Suporte trabalhado e pesquisado desde Fayum, com folha de ouro, bolo armênio, aquarela. O passado pesquisado sem limite ou preconceito.
Sobre os artistas
Alice NM (1982 SP/SP)
Artista plástica formada em 2010 pela Faculdade Santa Marcelina de Artes Visuais, onde foi aluna de Iole di Natale e Mario Fiore. Trabalha desde 1997, dando aulas em ateliê próprio desde 2003. Frequentou o curso de pintura e desenho com Feres Khoury (1999 a 2000) com quem compartilhou a residência artística em 2007  no International Workshop for Visual Artists  em Brande, Dinamarca.
Em 2010 terminou o bacharelado em Artes Plásticas – Faculdade Santa Marcelina.
Tem como experiências anteriores exposições individuais e coletivas onde mostrou pintura desenho e gravura.
Seu trabalho tem a pintura como foco principal, tendo realizado experiências em retrato, abstrações e grafismos orgânicos.
A pratica de ateliê é sua marca, nas obras e nos cursos de desenho e pintura, onde a experimentação e o fazer conduzem o desenvolvimento do trabalho artístico e o desenvolvimento de seus projetos de pintura e gravura.
Principais Mostras
Individuais:
2011 – Exposição “Semanas”- Flores na Varanda , São Paulo, SP, 02 de Dezembro a 19 de Dezembro.
2007 – Exposição “Retratos – Série Fresta” – Mercearia São Roque, São Paulo, SP, 17 a 24 de Setembro.
2004 – “#2”, Biblioteca Alceu Amoroso Lima, São Paulo, SP, 17 de Agosto a 18 de Setembro.
1999 – Centro Cultural KVA.
Coletivas:
2013 - II Coletiva de Arte Sobre Papel e Bazar de Arte, Studio Cultural Cristina Bottallo , 25 de novembro a 20 dezembro.
2013 - SP Estampa, ateliê Carolina Trimano.
2012 - Alice NM e Felipe Vergara Miqueles_ galeria Ponto Arte SP- 14 de junho a 21 de julho.
2009 – “Coletivo Colecionável” – Rua João Moura n°1175, Sâo Paulo, SP, 13 de Novembro a 23 de Dezembro.
2008 – “Artistas Brasileiros 2008 - Novos Talentos – Pinturas” – Palácio do Congresso Nacional – Salão Negro – Brasília, 12 a 28 de setembr2008 – “Arte Pela Amazônia” – Fundação Bienal de São Paulo – Pavilhão Ciccillo Matarazzo – 3º Pavimento – Parque do Ibirapuera – Portão 3, São Paulo, 05 a 30 de Março.
2007 - International Workshop for Visual Artists Brande, Dinamarca.
2007 – “Sobre Papel” – Galeria Casa Caiada, São Paulo, SP, 01 de Setembro a 15 de Setembro.
2007 – “Retratos – Série Fresta” – Mercearia São Roque, São Paulo, 14 a 24 de Setembro.
2005 – “Erótica” Galeria Choque Cultural, São Paulo, SP, 11 de Junho a 20 de Julho.
2003 – “Xilogravuras – Interpretações”, Museu florestal Octávio Vecchi, são Paulo, SP, 22 de Abril a 09 de Maio.

 

 
Rubens Matuck ( 1952 SP/SP )
Arquiteto de formação, artista plástico desde 1970, tem seu trabalho desenvolvido em ateliê desde 1974. Aluno de Sansom Flexor, discípulo de Aldemir Martins, fez gravura com Evandro Jardim, Marcelo e Roberto Grassman.
Seu trabalho parte da vivencia e observação da natureza , do estudo de técnicas milenares dos artistas plásticos da rota da seda, do oriente médio e extremo oriente.
Utiliza com versatilidade diversos suportes para a pintura, tais como tela, papeis, painéis de madeira que também esculpe.
Tem diversos livros publicados, tendo realizado exposições coletivas e individuais em diversos Museus e Galerias no Brasil e Exterior.
Exposições individuais recentes
2009 - Galeria Choque Cultural,  SP “Pinturas“ 05 a 30 de setembro.
2009 - Gallery Maki, em Tóquio (Japão) “ Cadernos de escrita São Paulo Shikoku” , de 11 a 29 de janeiro. 
2009 - Espaço Cultural Citibank, SP  de 07 de junho a 30 maio.
2015 - Sesc Interlagos SP de  05 de Maio a 10 de outubro.
2015 - Galeria Garage SP de 25 de junho a 20 de agosto.
Exposições coletivas
2007 - Cultural Blue Life SP de 20 abril a 30 de agosto. 
2008 – Espaço Cultural Tucarena SP, 10 a 20 de setembro.
2014 - Galeria Garage SP de 25 março a 30 de junho.       
2015 - Chapel Art Show SP de  16 a 21 de outubro.
 

02/04

Num véu de água se inscreve a paisagem
Julio Minervino

O artista plástico Júlio Minervino, lança o seu primeiro livro, “Num véu de água se inscreve a paisagem”, o projeto reúne 50 pinturas feitas em nanquim e comentadas por críticos de arte e artistas plásticos.  Os trabalhos originais estão expostos na galeria até 21/05.


"O trabalho do artista plástico Júlio Minervino tem como um de seus elementos fundamentais o amor pela técnica e o seu domínio. Existe um carinho extremo por aquilo que faz e um cuidado imenso para que cada peça seja preservada não no sentido de uma relíquia intocável, mas como um respeitoso documento da sua relação com o mundo."

Oscar D'Ambrosio, doutor em Educação, Arte e História da Cultura pelo Instituto de Artes da UNESP. Integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- seção Brasil)


Ateliê Galeria Priscila Mainieri | Rua Isabel de Castela, 274 | V.Madalena, SP | fone: (11) 3031-8727 |www.ateliepriscilamainieri.com.br

 

05/03 a 21/05

ESPORTES
Carlos Matuck

Carlos Matuck apresenta uma série de desenhos em nanquim sobre papéis orientais, chineses e japoneses, intitulada "ESPORTES”, produzidos para a realização de três murais para o SESC Santana em 2005, dois para o ginásio de esportes e um para a piscina.

O conjunto de desenhos, percebido como uma série autônoma, agora estará à disposição do público. Do ponto de vista formal, a composição privilegia o movimento corporal dos esportistas e suas respectivas sombras, conforme o projeto definido pelo artista.  Os desenhos, pela diferença de gramatura dos papéis, pela densidade da polpa ou qualidade da fibra, foram pintados de duas maneiras: os realizados por pinceladas diretas e os produzidos pelo vazamento destas pinceladas sobre outra folha de papel, ou seja por absorção. De superfícies e tamanhos variados, os papéis pintados refletem uma gama de atividades esportivas na visão atemporal e bem humorada do artista. Em 2005 também foram realizados um vídeo e um documentário, que serão exibidos durante a exposição. Abertura 05/03 às 15hs. Visitação até 30/04.

Vila Madalena: r. Isabel de Castela, 274, tel. 3031-8727. Seg a sex., 11h/19h;  sáb., 11h/17h. http://www.ateliepriscilamainieri.com.br

Ano 2015

07/11 a 21/11

CAMINHOS PARALELOS

 

 

 

 

Exposição “Gravura em linóleo: Caminhos Paralelos”

 

Mostra de gravuras produzidas pelos artistas: Benê Dantas, Lica Neaime, Oscar Inneco, Sérgio de Moraes e Vera Rossi.

Abertura: 07 de novembro de 2015. Visitação: de 09 a 21 de novembro de 2015, de seg a sex das 11h às 19h, sáb das 11h ás 17h.

 

 

 

Caminhos paralelos

 

         Sérgio, Vera, Oscar, Lica e Benê são uma espécie de arqueólogos às avessas; não escavam em busca do que foi, mas do que pode vir a ser. E tais devires, reunidos na presente exposição, operam o paradoxal encontro de caminhos que, ditos paralelos, não deveriam se cruzar a não ser no infinito.

         Pois é o que esse grupo de artistas nos oferece: a vivência real da fantasia do infinito futuro; brincadeira própria da arte, que nos trabalhos apresentados é explorada em transparências, camadas, cores, efeitos e nuances que se renovam incessantemente em múltiplos aparentemente idênticos ou se acumulam em impressões singulares, provas únicas.

         Os artistas conhecem bem os trabalhos uns dos outros. Encontram-se há anos no ateliê de Sérgio e juntos pesquisam técnicas, procedimentos, poéticas. Sérgio, em cujas gravuras transparecem experimentos de linguagem que cultiva desde os anos 1970, compartilha com seus colegas gravadores modos de fazer, qualidades visuais contagiantes que transitam pelos trabalhos e, simultaneamente, conferem identidade ao conjunto sem lhes afetar a singularidade. As obras selecionadas para essa exposição evidenciam cumplicidade interativa; é patente que o motor que move esse grupo extrapola o mero entusiasmo comum pela gravura.

         Na linoleogravura as matrizes demandam cuidados e preparações de natureza diferente dos complexos e trabalhosos processos de preparação exigidos por outras técnicas de gravura. A participação das matrizes no resultado final é neutra se comparada, por exemplo, à xilogravura, processo que pode incorporar na estampa os veios da madeira, inclusive enquanto linguagem.

         Longe de ser deficiência, essa neutralidade da matriz confere à técnica particular agilidade na exploração de sulcos, grafismos, chapados, sobreposições; possibilita, por exemplo, evocar as transparências flutuantes da aquarela, ainda que concebidas por procedimentos distintos.

         Tais transparências, em particular, destacam-se como contato entre os trabalhos apresentados. Resultam da generosa disposição que todos no grupo têm para acrescentar mais uma e mais outra impressão sobre as precedentes, sobrepondo camadas que aprisionam entre si o tempo real do processo e o tempo imaginado da contemplação. Os efeitos visuais operados pelas impressões sequenciadas escapam ao rígido controle do artista, e delas sobrevêm coloridos, formas, interseções imprevistas, surpresas bem ao gosto de escavadores. Parafraseando Henry Bergson, poder-se-ia dizer que cada camada "traz em si um imprevisível nada que muda tudo".

         Algumas das "folhagens" de Oscar, por exemplo, se valem desse princípio para oferecer à contemplação, a partir de um mesmo jogo de matrizes, acolhedores nichos de jardins variados. Assim como Oscar, Vera trabalha imagens de folhas, mas também busca no mar frutos para suas composições, e os organiza centralizados na área de impressão, tirando partido do papel que se deixa ver por entre figuras também transparentes e sobrepostas. Benê, mais geométrica e abstrata, trabalha as transparências por contiguidade e por texturizações abertas, pontilhismos gerados por reações da tinta.

         Mas essa insistente superposição de camadas impressas pode também resultar em opacidades, em espessamento da superfície, em texturas que se oferecem pelo olho ao tato. 

         O dragão que peida, de Lica, o faz em meio a cintilantes contrastes entre grafismos simplificados, formas emergentes de intenso negro e massas de cor que revelam sua própria natureza material, mostram-se tintas. Tudo é espesso, denso. As figuras de Lica parecem ilustrar narrativas suscitadas por elas mesmas; são sugestões de fábulas, protocolos poéticos, qualidades que se estendem ao coletivo da mostra, trabalhadas por cada um à sua moda.

         Sérgio, por sua vez, apresenta suas politipias, processo por ele próprio desenvolvido, derivado da linoleogravura e a ela equiparado enquanto técnica artística autônoma.

         Quando no processo de impressão da gravura em linóleo se recorre à prensa, entre esta e o substrato interpõe-se um feltro, cuja principal função é distribuir homogeneamente a pressão. Os substratos mais comuns são papéis diversos, mas podem ser muitos outros, como por exemplo a entretela, através da qual a tinta vaza; por causa desse vazamento, é necessário colocar uma folha de papel impermeável entre ela e o feltro, protegendo-o. Reutilizados ao longo das tiragens, esses papéis de proteção acumulam aleatoriamente vestígios de cores, traços, manchas; Sérgio percebeu neles o potencial de suportes, bases para continuidades.

         Assim, colecionados há anos, esses papéis são resgatados e utilizados em novas impressões; às vezes integram tiragens, como as exibidas nessa mostra; outras vezes retornam para a coleção e lá permanecem à espera de nova convocação. Se há no processo convocatório alguma participação do acaso, seguramente ela é muito menor do que a da intuição, da sistemática observação e da procura de relações visuais e líricas entre os papéis guardados e os projetos em andamento no dia-a-dia do ateliê.

         Nas politipias de Sérgio, as camadas alternadas de resquícios aleatórios e intervenções planejadas produzem ambientes fantasmagóricos, testemunhos de matrizes perdidas, mas não como um palimpsesto, pois nada é apagado. Pelo contrário, o procedimento reforça o potencial de renovação da matriz, discute a idéia do múltiplo, da aura da peça única – que nesse caso não chega a existir enquanto tal, uma vez que potencialmente a peça jamais se conclui.

         Entre essas camadas habitam figuras inusitadas que emergem à medida em que as indentificamos, e se anulam ao dar espaço a novas descobertas. E na soma tudo some, restando ao olhar apenas confortáveis contrastes entre brilhos e opacidades, claros e escuros, linhas e manchas que, aos poucos, se recompõem ciclicamente em novas narrativas: basta encontrá-las.

 

Waldemar Zaidler

outubro 2015

20/10 a 31/10

12 Artistas na Fazenda Catitó

 

 

 

 

Artistas internacionais em duas exposições no Ateliê Galeria Priscila Mainieri

 

Dia 20 de outubro de 2015 a partir das 19h, o Ateliê Galeria Priscila Mainieri em parceria com a Damar e com o Instituto Cultural Capobianco, convida para o lançamento do documentário 

12 ARTISTAS NA FAZENDA CATITÓ , relato da  vivência dos 12 artistas convidados para o Workshop Internacional Damar Catitó durante a residência artística de três semanas em uma antiga e produtiva fazenda de café,  Fazenda Catitó, em Monte Santo de Minas (MG).  Na mesma data, será inaugurada a segunda exposição reunindo uma seleção de trabalhos inéditos ali produzidos.
A curadoria é do artista visual Carlos Matuck, organizador do workshop  que reuniu artistas da Alemanha, Brasil, Dinamarca, Japão e Polônia.

O belo texto escrito por Matuck durante o workshop, reflete a potência do projeto e convida a todos a vir conferir os resultados:
 

FAZENDA CATITÓ 

Quinta-feira, 06 de agosto de 2015

Hello everybody!

Tarefa inglória, essa de escrever! Mas já que temos um blog e, de uma certa maneira, sou o responsável pela presença de tantos artistas por aqui, vamos a isso.

Nosso galpão atelier está lindo demais!

Já era lindo vazio, agora com tantos trabalhos artísticos em andamento está um verdadeiro show de bola!

Chegamos numa segunda à noite, 27 de julho, e desde então estamos aqui. Na terça fomos nos arranjando, escolhendo onde trabalhar, montando mesas e cavaletes, tirando os materiais das caixas, eu prá lá e prá cá tentando deixar tudo arrumado para todos trabalharem.

A partir daí o atelier galpão começou a crescer, o vento enfunou as velas, as cores da mata invadiram os papéis, o cafezal se imiscuiu nas telas e nas cabeças, muitas mãos concentradas em movimento, máquinas fotográficas, vassouras de cana da índia, doces, doces, doces, toneladas de café!

O lema de Tine Hind, direto da Escura Jutlândia, estabeleceu-se: “Relax, take it easy and don’t hesitate!!”

E desatou a pintar e gravar, nossa “Black Forest Fairy”, encantada com os colhedores de café (já gravou dois linóleos com eles, entre o abstrato e o figurativo, com suas peneiras, jogando o café para o alto). Mas fez também uma pintura distópica, admirável mundo novo, a humanidade entre escombros, as cores todas em fusão dentro de nossas cabeças.

Assim, Erwin Legl, azar de quem perder, iniciou a juntar pequenas tábuas e cobri-las de gesso, fortalecido por pedaços de sua juta germanicamente quadriculadinha. Achou pedaços de madeira abandonados pela fazenda e foi combinando-os até terminar quatro excelentes esculturas brancas. Então, sem mais tempo para esculpir, tratou de encher sua mesa de pinturas.

Lá no fundo do galpão, Jon Gislason e Doris Hahlweg escolheram ficar mais perto das árvores ainda que a iluminação por lá, à noite, seja ruim. Jon, como sempre, abusou de sua fantástica espontaneidade para pintar, pintando como se estivesse em outro lugar, como se não houvesse tela alguma à sua frente, como se estivesse fazendo outra coisa: o mais puro engano: a coisa vai se ajeitando, tomando forma, as cores vão achando o lugar que lhes convém, e lá está mais uma surpreendente pintura da escola dinamarquesa (talvez islandesa, talvez apenas jônica).

Doris começou pintando lixas d’água 600, bem fininhas, de um cinza intenso. Pintou dias a fio lixas e telas.

Ontem, em uma única sessão, fez uma pintura incrível só com manchas de cor conversando como o som dos pássaros nas árvores. E declarou, em seu português da Bavária: “ëstá um poco difícill de sôltarr, mas agorra parece mellhorr””.

As japonesas, ou japoas, como diziam os primeiros portugueses que conseguiram entrar na ilha encantada, como sempre deram um show à parte: primeiro, as três de maria chiquinha e maquiadas de caipira na festa junina que tivemos no sábado na antiga estação Catitó, dançando a quadrilha (até eu dancei a quadrilha…) e distribuindo sorrisos. Kiyoko Kozawa, a de sempre, sem comentários, todos que a conhecemos não conseguimos mais imaginar um mundo sem ela, astral total, sempre feliz, os olhinhos telescópicos em varredura permanente: nada escapa à nossa fantástica Kiyokito. Enquanto espalha bom humor inacreditável, pinta como só ela, atrás daquilo que é impalpável, às vezes invisível, as sombras das árvores nas casas, o vento e as sombras se enrolando nas folhagens.

Kiyomi Kuriki, depois de alguns dias muito preocupada com a exposição de abertura do workshop, aqui foi relaxando aos poucos e se concentrando em suas cósmicas pinturas siderais. Não se sabe o que é mais surpreendente: a sua pintura ou vê-la pintar, em pé ou sentada, como uma bailarina, elegantíssima em suas poses inspiratórias, concentratórias, respiratórias. As pinturas de Kiyomi, em épocas passadas do Oriente, seriam divinatórias, utilizadas para especular sobre a próxima colheita ou a intensidade da queda das folhas durante o outono.

Completando o trio, Yumi Takatsuka, pinta e desenha ou desenha e pinta? sentada sobre os joelhos, em japíssima posição, parece uma anatomista dissecando as imagens de seus animais e de suas carnes e ossos, criando surpreendentes desenhos pintados ou pinturas desenhadas cheias de força e movimento.

As três juntas nos proporcionam outro espetáculo involuntário: as conversas em japonês das três: cheias de “êêêêêêhhhhhhh”, “ôôôôôôôoooooooo”, tão típicas interjeições, para nós muito engraçadas.

No meio do galpão, temos a sessão digital, com Patrícia de Filippi e Justyna Machnicka, as duas enfiadas em seus computadores, manipulando as imagens de tudo ao seu redor.

Patrícia levanta cedo para aproveitar a luz da manhã e depois, no final do dia, a luz de fim de tarde, sempre rasante, o deleite dos fotógrafos em busca de minúsculos grãos de luz nas superfícies de seres, coisas e espaços.

A fazenda oferece um mundo de luzes cambiantes, o café no terreiro, as árvores magníficas, as máquinas, às vezes uma gramínea perdida e aparentemente insignificante, que diante daquela luz rasante, pela câmera se transforma, envolta pelos grãos de luz que brotam, brilham como as estrelas no céu, em alguma coisa de majestoso, um manto sagrado, uma pintura perdida.

Justyna, uma garça um tanto desengonçada de pernas longuíssimas, nariz polonês espetado e muito charme, faz caretas de concentração diante do computador, onde manipula fotos, todas feitas em São Paulo ou aqui na fazenda, acrescentando intervenções pictóricas ou gráficas, também realizadas por ela com ecoline ou aquarela, tudo resultando num trabalho delicado, poético, moderníssimo.

Por fim, e agora com vocês, nosso fundão e seus bad boys: Júlio Barreto, Marcos Maffei e Arismar do Espírito Santo.

Júlio desandou a pintar com a calma que lhe é peculiar, às vezes atropelando uma pintura com sucessivas intervenções, colecionando experiências diversas vividas intensamente. Pintou tudo o que viu e não viu. E também fez excelentes caricaturas de todos os outros artistas trabalhando: hilárias, divertidas e perspicazes.  

Maffei, vagando alheio e quieto em meio à fumaça de seus cigarros, às vezes completamente desaparecido, escreve, escreve e escreve, sentado ouvindo músicas magnifícas (e eu perguntando: onde você achou isso?).

Seu conto mistura a nossa experiência como personagens reais aqui nesta fazenda distante com personagens e situações inventadas, um bocado de reportagem, um monte de ficção.

Arismar, santista incansável (eu lhe digo: Arismar do Espírito Santôôôss!!!), perambula com seu cavaquinho ou violão, estirando melodias pelo ambiente, criando enredos harmônicos para movimentos pictóricos, tocando para um e para outro, na verdade com um e com outro. Já pintamos um retrato dele, eu e Júlio juntos, tocando a pintura enquanto ele pincelava ritmos em uma caixa. Está compondo com o ambiente, com os trabalhadores rurais, com os ruídos das máquinas. Faz filmes estranhos com uma pequena câmera dessas pequenininhas  caminhando e cantando pelo atelier.

Assim, uma boa seleção dos trabalhos produzidos nessa estadia estarão em exposição no Ateliê Galeria Priscila Mainieri.

Apareçam!

Ufa!

Carlos Matuck

 


 

12 ARTISTAS NA FAZENDA CATITÓ

Lançamento do documentário e abertura de exposição: 20 de outubro de 2015, às 19h

Visitação: de 21 a 30 de outubro de 2015, de seg a sex das 11h às 19h, sáb das 11h ás 17h.

Ateliê Galeria Priscila Mainieri, Rua Isabel de Castela, 274 V.Madalena, tel 3031-8727 www.ateliepriscilamainieri.com.br

 

Mais informações: página Damar Workshop, no Facebook; no blog damarcatito.tumblr.com; no Instagram @damarcatitoe no endereço eletrônico  http://issuu.com/damarworkshop/docs



 

 

 

12 artistas na fazenda Catitó

Mostra de obras produzidas no Damar Catitó Workshop Internacional

Kiyomi Kuriki, Kiyoko Kozawa e Yumi Takatsuta (Japão), Doris Hahlweg e Erwin Legl (Alemanha), Tine Hinde e Jon Gislason (Dinamarca), Justyna Machnicka (Polônia), Patrícia de Filippi, Júlio Barreto, Arismar do Espírito Santo e Marcos Maffei (Brasil)

 

Essa coletiva, juntamente com a exposição The Moonligth & The end of the wind, inaugura a inserção efetiva do Ateliê Galeria Priscila Mainieri em um circuito internacional formado por profissionais da arte que se reúnem por afinidades nos modos de fazer e pensar, ainda que a diversidade e o inevitável debate ensejado por suas obras individuais sejam características marcantes do grupo, cujos integrantes atuam em universidades, instituições culturais e galerias de arte em diversos países da Europa, Ásia e Américas.

A exposição 12 Artistas na Fazenda Catitó apresenta obras resultantes da aproximação brasileira desse circuito internacional, no qual os próprios artistas vêm experimentando notáveis modos de produção artística de qualidade; alternativas saudáveis a editais oficiais e outras formas contemporâneas de incentivo à arte.

O Ateliê Galeria Priscila Mainieri e o Instituto Cultural Capobianco apoiam a iniciativa; são parceiros da Damar na realização do workshop e na apresentação dos resultados ao público.

  

Kiyoko Kozawa

1970, Aichi, Japão

A artista japonesa formou-se na Universidade de Artes de Nagoya e, em 1997, no Cité Internationale Des Arts (França).  Mora e trabalha em Nagoya; desde o início dos anos 2000 participa de eventos internacionais promovidos por artistas em outras cidades do Japão e na Dinamarca, Polônia, Alemanha, Brasil, localidades nas quais ela produz e expõe seus trabalhos.

 

Kiyomi Kuriki

1966, Hiroshima, Japão

Kiyomi graduou-se em 1991 pela Aichi Prefectural Art University; desde então realiza periodicamente exposições individuais no Japão, simultaneamente a coletivas, bienais e residências artísticas na China, França, Alemanha, Dinamarca; conquistou várias premiações internacionais.

 

Yumi Takatsuta

1979, Brasil

Atualmente, mora e trabalha no Brasil. Criada no Japão, pós-graduada em 2004 pela Faculdade de Arte Kyoto Saga, realizou exposições individuais em Tokyo e Osaka; a partir de 2006 expõe regularmente em São Paulo.

  

Doris Hahlweg

1957, São Paulo, Brasil

Criada na Alemanha, vive e trabalha em Munique, onde estudou pintura na Academy of Fine Arts, Munich entre 1978 e 1986, tornando-se desde então artista independente. Realizou, entre 1992 e 2011, dezessete exposições individuais em cidades alemãs como Ulm, Dachau, München, Freiburg, Darmstadt, Landshut etc., participando no mesmo período de mais de mais de 40 exposições coletivas. Seus trabalhos integram as coleções Bayerische Staatsgemäldesammlungen, Landeshauptstadt München, McKinsey & Company Hausbank, München, Artothek, München.

 

Erwin Legl

1954, Ingolstadt, Alemanha

Pintor e escultor, vive e trabalha em Hildesheim, onde desde 2000 é professor associado da Hildesheim University of Applied Sciences and Arts. Antes disso, estudou escultura em madeira na escola vocacional de Berchtesgaden, e formou-se pela Academy of Arts Munich. Realizou mais de uma dezena de individuais em diversas cidades alemãs, e tem participado de coletivas em galerias e universidades da Alemanha, Dinamarca e Japão. Participou da primeira edição do Damar Workshop Internacional.

  

Tine Hinde

1953, Askov, Dinamarca

Vive e trabalha em Aarhus. Iniciou seus estudos em arte em Amsterdam, Holanda, em 1973, na Rijks Academy; durante dois anos cursou a Academia de Arte de  Aarhus, Dinamarca, e artes gráficas em Poznan, Polônia, em 1977. Atua como artista, designer gráfica e ilustradora. Entre 1993 e 2013 realizou 28 exposições individuais e fez viagens de estudos a 25 cidades em 15 diferentes países.

  

 

Jon Gislason

1955, Dinamarca

Graduado pela Royal Academy of Art em Aarhus em 1977, onde foi professor por mais de 10 anos. Afinado com os pintores grupo Kobra e neo-expressionistas alemães, circula entre a Dinamarca, Alemanha, Holanda, Itália, Espanha, Rússia, Suiça, Japão, EUA e Brasil, com exposições individuais e coletivas. É membro da Artists Society, Kunstnersamfundet. Participou da primeira edição do Damar Workshop Internacional.

 

Justyna Machnicka

1980, Polczyn Zdrój, Polônia

Artista, designer gráfica, professora universitária, formou-se pela The Higher School of Applied Arts, Szczecin (Polônia) e continuou os estudos em Lisboa, na Academia de Belas Artes; é Ph.D. pela University of Arts em Poznan (Polônia). Participa regularmente de workshops em seu país, na Tchecoslováquia e na Alemanha. Bastante premiada, atua em associações do meio artístico e cultural, e apresenta seus trabalhos em inúmeras exposições individuais e coletivas, dentro e fora da Polônia.

 

Patrícia de Filippi

1959, São Paulo, Brasil

Mora e trabalha em São Paulo. Graduou-se pela FAU-USP, especializou-se em conservação fotográfica no Arquivo Público da Cidade de Nova York (1991) e na L. Jeffrey Selznick School of Film Preservation, Rochester, NY, EUA (2000/2001). Pesquisadora da fotografia no século XIX, desenvolve trabalhos em fotogravura, projeto iniciado em 1996 com o incentivo do Prêmio Estímulo de Fotografia da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, do qual foi vencedora. Entre 1998 e 2013 dirigiu o Laboratório de Imagem e Som da Cinemateca Brasileira.

 

 

Júlio Barreto

1966, São Paulo, Brasil

Mora e trabalha em São Paulo. Autodidata, é pintor, gravador e desenhista. Desenvolveu técnicas próprias para a confecção de estênceis, linguagem que utiliza em suas pinturas sobre tela, e também em espaços públicos interiores e na rua. Em 2013 participou da primeira edição do Damar Workshop Internacional, e em 2014 da residência artística ArsTerra, em Hannover, Alemanha.

  

Arismar do Espírito Santo

1956, Santos, Brasil

Vive e trabalha em São Paulo. Figura de destaque na música instrumental brasileira,  referência em vários instrumentos, atua como compositor, diretor de espetáculos, concertista e palestrante em universidades do Brasil, Uruguai, Argentina, EUA e Dinamarca. Explora a diversidade da música brasileira e concebe projetos originais, como o Criação Musical no Estado do Acre, incentivado prelo Prêmio Funarte de Música Brasileira. Foi também vencedor do Prêmio Sharp de Música e eleito um dos 10 melhores guitarristas brasileiros pela revista Guitar Player.

  

Marcos Maffei

1959, São Paulo, Brasil

Trabalha e mora em Paraty (RJ). Fez música e filosofia na USP, sem concluir nenhum dos dois cursos ou virar músico ou filósofo – embora ainda toque saxofone na Banda Santa Cecília; é professor de Apreciação Musical na Escola Livre de Música da Casa da Cultura de Paraty. Tradutor e escritor, têm publicadas três adaptações de clássicos para crianças (Romeu e Julieta, Rei Artur e Odisséia, Escala) e mais de 50 traduções. Prestou também serviços como leitor para as editoras Companhia das Letras e Moderna, escreveu resenhas para o caderno "Letras" da Folha de São Paulo. Em 2009, com Diferenças nas praças venceu o prêmio Off-Flip de poesia, publicado na Coletânea do Prêmio Off-Flip em 2010. Atualmente, trabalha na Secretaria de Cultura de Paraty.

 

 

 

 

 

25/07 à 08/08

Moonlight & The end of the wind

 

Artistas internacionais em duas exposições no Ateliê Galeria Priscila Mainieri


Moonlight & The end of the wind: exposição de pinturas das japonesas 

Kiyomi Kuriki e Kiyoko Kozawa


Abertura: 25 de julho de 2015, sábado, às 15h, com participação de Arismar do Espírito Santo, com a vivência musical "Enfim, o começo". Visitação até 08 de agosto, de segunda a sexta, das 11h às 19h; sábados das 11h às 17h.


12 artistas na fazenda Catitó dos artistas Kiyomi Kuriki, Kiyoko Kozawa e Yumi Takatsuta (Japão), Doris Hahlweg e Erwin Legl (Alemanha),Tine Hinde e Jon Gislason (Dinamarca), Justyna Machnicka(Polônia), Patrícia de Filippi e Júlio Barreto (Brasil). 15.08, às 15h, (até 29.08)


As exposições são, respectivamente, abertura e encerramento do Workshop Internacional Damar Catitó, residência artística que reúne, além desses artistas visuais, o músico Arismar do Espírio Santo – que se apresentará na vernissage das duas exposição –, e o escritor Marcos Maffei. Ao longo de três semanas o grupo produzirá no ateliê especialmente montado para recebê-los na Fazenda Catitó (MG) e participará de atividades culturais em São Paulo.



The Moonlight & The end of the wind

O luar & O final do vento

de 25/07 a 08/08

 

Kiyoko Kozawa

1970, Aichi, Japão

 

Em sua segunda temporada no Brasil, Kiyoko expõe trabalhos recentes no Ateliê Galeria Priscila Mainieri, em São Paulo, a partir de 25 de julho, no evento que assinala o início dos trabalhos do Damar Catitó Workshop Internacional.

 

A artista japonesa formou-se na Universidade de Artes de Nagoya e, no Cité International Des Arts (França, 1997).  Mora e trabalha em Nagoya; desde o início dos anos 2000 participa de eventos artísticos internacionais promovidos em outras cidades do Japão e na Dinamarca, na Polônia, na Alemanha, no Brasil, localidades nas quais ela produz e expõe seus trabalhos.

 

Alegre, a simpática Kiyoko circula e flui como o vento que gosta de pintar; emO final do vento, escreve:

 

Até o momento minha obra representa o ar que é afetado pelos contornos de  todas as coisas da natureza.

O contorno das coisas nos apresenta duas dimensões, mas se modifica facilmente quando nos deslocamos diante delas.

Eu sinto o tempo passar quando desenho o ar ao redor.

Nos últimos anos desenhar o ar me traz pequenas mudanças.

Hoje desenho o vento, a luz e as sombras que entram pelas janelas e pelas portas. A corrente de vento que vem de fora.........., é de fato um sopro de ar puro.

Eu tenho desenhado o final do vento, amontoados de folhas que pousaram neste trabalho.

 

Kiyomi Kuriki

1966, Hiroshima, Japão

 

Assim como Kiyoko, Kiyomi busca movimentos; sua pintura evoca elegantes danças de brilhos e fulgores que emergem de um fundo preto, espesso, profundeza atraente. Dribla a monotonia com aplicações irregulares de impastos nas superfícies que percebe transformadas por sua própria ação, pelos seus traços, linhas brancas esfumaçadas nas quais Tadashi Kanai, curador do Toyota City Museum, reconhece crepúsculo e orvalho. Nas ondulações de linhas brancas que Kiyomi comprime na região central da tela, Kanai vê a sensualidade de cordões desamarrados na cintura.

 

Kiyomi graduou-se em 1991 pela Aichi Prefectural Art University; desde então realiza periodicamente exposições individuais no Japão, simultaneamente a coletivas, bienais e residências artísticas na China, França, Alemanha, Dinamarca; vem conquistando diversas premiações internacionais.

 

Para o crítico de arte Kazuo Yamawaki, as pinturas de Kiyomi resgatam uma atmosfera espiritual e mística que boa parte da pintura moderna parece ter perdido; estimulam nossa imaginação e nos transportam para uma zona de reciprocidade entre a realidade e o mundo do espírito, para uma antiga alma egípcia.

 

Luar, luz da lua: não poderia haver imagem melhor para nomear esse trabalho.

 

 

Os movimentos de Kiyomi e Kiyoko se complementam no giro cósmico e no vento que envolve as coisas.


Mais informações

 

Sobre as exposições de abertura e encerramento do workshop, consulte o sitewww.ateliepriscilamainieri.com.br Horários e datas para agendamento de visitas ao ateliê na fazenda, informações detalhadas sobre os artistas e programação de atividades podem ser obtidas na página Damar Workshop, no Facebook; no blog damarcatito.tumblr.com; no Instagram @damarcatitoe no endereço eletrônico  http://issuu.com/damarworkshop/docs


Ateliê Galeria Priscila Mainieri | Rua Isabel de Castela, 274 V. Madalena | (11) 3031-8727 | www.ateliepriscilamainieri.com.br | 

 

 

 

 

22/05/2015 A 27/06/2015

DESDOBRAMENTOS
Marinês Busetti | Renata Basile

Catálogo da exposição:       http://issuu.com/471921/docs/desdobramentos_issuu-2

Processos e investigações plásticas bem sucedidas a partir de gravuras em metal e xilogravura

A exposição Desdobramentos apresenta gravuras em metal de Renata Basile da Silva e xilo- gravuras de Marinês Busetti. Ambas exploram técnica e tematicamente a reprodutibilidade da imagem; pela multiplicação de linhas e módulos engendram tramas e formas singulares, propondo um jogo sensual que envolve matriz, estampa e observador; pela intervenção sobre as impressões dão voz própria às gravuras, potencializando-as com narrativas independentes de suas matrizes.

 

PROGRAMAÇÃO
Conversa com as artistas: dia 23 de maio, sábado, das 14h às 17h, as artistas receberão

interessados para conversar sobre seus trabalhos e projetos

Oficina de xilogravura: com Marinês Busetti, 30 de maio, da 10h às 18h (recesso para almoço das 12h30 às 14h). Valor: R$ 210,00

Oficina de carimbos: com Renata Basile, 13 de junho, das 14h às 18h. Valor: R$ 150,00

Palestra: O que é gravura moderna?, com Denis Molino. 17 de junho, quarta-feira, às 19h30 Inscrições: pelo e-mail contato@ateliepriscilamainieri.com.br ou pelo telefone (11) 3031.8727 

   

26/03/2015 à 09/05/2015

DIÁLOGOS
A.Toral | J.Barreto | J.Minervino | C.Matuck | C.Rocha

 

Diálogos apresenta diferentes abordagens do grafismo em artes visuais. Convida à reflexão sobre o significado do termo artes gráficas, historicamente associado à ideia de reprodução, e mais recentemente restrito pelo senso comum a processos industriais. Os trabalhos reunidos chamam a atenção, cada um a sua moda, para a exploração de aspectos da linguagem gráfica, operação que estabelece animada conversa entre obras cujas técnicas e estilos, à primeira vista, não ensejariam convite para o mesmo banquete. Entretanto, uma vez juntas, não param de tagarelar!

(W.Zaidler)

Texto: http://www.ateliepriscilamainieri.com.br/conteudo.asp?IDMenu=22

      

Ano 2014

13/11/2014 à 06/12/2014

OUTRAS COISAS
André Toral

Catálogo da exposição pelo link    http://issuu.com/471921/docs/catalogo_outrascoisas

 

Toral preza a linha e a história; sensível, sabe fundi-las de sorte a engendrar ficções desenhadas que promovem a “passagem do não-ser ao ser”. Faz suas experiências em diferentes laboratórios, com ingredientes variados; às vezes, destila o que já era mas não se via, em outras, opera a transformação do já visto – mas ainda não nomeado – primeiro em sensação, depois em significado; convida à fruição.

Essa capacidade se revela, ou melhor, se confirma nos trabalhos aqui reunidos. As duas séries de gravuras em metal – A história da Arte e A juventude de Van Gogh – e a série de desenhos coloridos em pastel seco sobre papel – intitulada 1932, hoje –, formam um conjunto de três narrativas entrelaçadas por uma poética coesa, ainda que concebidas em momentos distintos e em resposta a diferentes demandas.

Em A história da arte Toral contrapõe figuras pinçadas do imaginário de manifestações regidas pela lógica da in- dústria cultural e aforismos de filósofos, historiadores, artistas. Delimita um espaço-entre comum às palavras e às figuras, terreno semântico no qual constrói reflexões acerca de contradições entre a arte dita erudita – evocada pelas frases de efeito –, e o kitsch sugerido pelas imagens.

Em toda a exposição, a insubordinação entre palavras e imagens gera tensão, conflito entre o impulso habitual de, a partir do texto, procurar na imagem significado ilustrativo e a dificuldade de estabelecer nexos minimamente razoáveis que permitam ler as frases como legendas.

Conduta análoga orienta a série A juventude de Van Gogh.

Motoboys nitidamente paulistanos convivem com o pintor Van Gogh, que se faz presente nas gravuras pela trans- crição de frases de suas famosas cartas; Toral os conecta por uma condição que considera comum a eles: a urgência no cumprimento de suas respectivas missões, cujos objetivos implicam graves riscos para o equilíbrio mental e para a vida. Diante de tamanhas e medonhas dificuldades cotidianas vivenciadas tanto pelo pintor quanto pelos motociclistas, quais seriam as motivações para tal persistência obstinada na realização de seus empreendimentos?

As frases reproduzidas nas gravuras nos apresentam Van Gogh como um homem comum, empenhado contra obstá- culos semelhantes aos dos motoboys, semelhantes aos nossos. Como o próprio Toral anuncia, “o motoboy somos nós”.

O jogo palavra-figura-paisagem nos propõe um estado mental particular; se topamos, somos então levados a flanar pelas alegorias que Toral sintetiza com seu excelente desenho a partir de estudos sistematizados de momentos his- tóricos de seu interesse.

Da Revolução Constitucionalista de 1932 emergem figuras, símbolos, representações, slogans que na série 1932, hoje habitam cenários nos quais motoboys convivem com aspectos selecionados de uma visualidade expressa na concretude de São Paulo.

Símbolos da guerra são de tal modo inscritos na paisagem atual, nossa conhecida, que por vezes somos induzidos a tomá-los por monumentos ou edifícios futuristas, deixando-nos intrigados com o fato de ainda ontem termos por ali passado sem neles reparar.

Assim, figuras e emblemas da Revolução de 1932, coisas de um passado aparentemente obscurecido na memória de São Paulo, surpreendem-nos atuais e possíveis, retemperando significados de importantes marcos da cidade.

Waldemar Zaidler

outubro de 2014

[excerto do texto de apresentação do catálogo da exposição] 

 

 

 

09/10/2014 a 30/10/2014

SANKOFA, VOLTE E PEGUE

Priscila Mainieri expõe trabalhos recentes de pintura sobre tela e papel, fruto da conjunção da arquitetura do final do século XIX e início do século XX  trazida por imigrantes na construção de suas casas na cidade de São Paulo e de realidades fictícias da vida destes moradores.  Sobreposições geométricas, arabescos, ornamentos, desenhos e cor convivem num mesmo plano, sem perspectiva, formando estampas repletas de símbolos e padrões. Abertura 09/10 às 19h, visitação de 03/10 a 31/10

 

Durante a abertura, 09/10, Letizia Roa e José Calixto tocam Castello, Uccelini e Marini no violino barroco acompanhado pela teorba.

José Calixto Kahil Cohon (Brasil) é músico e compositor formado pela USP e atua na vanguarda antiga e contemporânea.Letizia Roa (Paraguai) toca música historicamente informada no violino barroco.

22/05 a 28/06

A SALA JAPONESA E OUTROS OLHARES ESTRANGEIROS
Carlos Matuck
Apresentação Waldemar Zaidler

Catálogo da exposição pelo link   http://issuu.com/471921/docs/issuu_carlosmatuck 

A Sala Japonesa e outros olhares estrangeiros apresenta trabalhos de Carlos Matuck, realizados durante programas de residência artística na Dinamarca, Polônia, Alemanha, Japão e, com a memória dessas viagens, em seu ateliê em São Paulo. A partir de fotografias antigas, como imagens de identidade criminal e registros de família, Matuck elabora retratos multifacetados, em telas e desenhos sobre papel. Nas séries apresentadas foram utilizadas diversas técnicas, em montagens e desmontagens sucessivas, cortes e colagens de desenhos e pinturas para compor um retrato cultural amplo e particular ao mesmo tempo. Curadoria de Claudio Rocha e Priscila Mainieri. Apresentação de Waldemar Zaidler. Abertura 22/5 às 19h. Até 28/6.

 

  

 

 

 

08/05 a 18/05

PONTO MÚLTIPLO
coletiva SP Estampa
Priscila Mainieri

PONTO MÚLTIPLO apresenta trabalhos de artistas que utilizam

técnicas diferentes em um recorte de suas produções

focado na estampa e na multiplicidade de imagens.

A mostra coletiva faz parte do evento SP ESTAMPA e é

composta de gravuras, fotogravuras, caligrafia, tipografia,

xilogravuras, impressões fine art, estenceis e monotipias de

ANDREA BARSI, ANTONIO CARLOS GOPER, CLAUDIO GIL, CLAUDIO ROCHA,

ELISETE ALVARENGA, FELIPE RISADA, JAIME PRADES, JULIO BARRETO,

MONICA TINOCO, PRISCILA MAINIERI E RENATA BASILE DA SILVA.

 

ABERTURA 8/5 às 19h VISITAÇÃO de 12 a 18 de maio, seg a sex,

das 14h às 19h. sáb e dom (17/18) das 11h às 17h.

 

 

ATELIÊ GALERIA PRISCILA MAINIERI rua Isabel de Castela,274

V.Madalena 3031.8727 www.ateliepriscilamainieri.com.br 

03/04 a 30/04

A Carranca e o Dragão
Rolinho Bros
Claudio Rocha

Pixotosco e RiR são artistas que pintam quase todos os dias nas ruas de São Paulo. Cruzam a cidade pedalando para levar seus desenhos o mais longe possível, no melhor lugar possível, no maior tamanho possível. Na busca pela simplicidade e economia, rolo e extensor substituem o spray e a escada. A “carranca” do RiR (Felipe Risada) e o “dragão” do Pixotosco (Tony de Marco) espalham-se por paredes, colunas, pontes, túneis, viadutos, calçadas ou qualquer outro equipamento urbano disponível na cidade/canvas. Juntam-se a esses signos outros desenhos de um vocabulário desenvolvido em dez anos de estrada e três anos pintando juntos no grupo Rolinho Bros. A parceria na rua evoluiu e se concretizou no ateliê da dupla: uma sala da Paper Box Lab, na praça da Sé, o coração de São Paulo. Foi lá, contaminados pela energia do Centrão, que toda a produção da exposição “A Carranca e o Dragão” foi elaborada. Suportes recolhidos pela cidade, sucata urbana, compõem a mostra ao lado de grandes telas. Esses artistas  entram na galeria com a própria rua nos braços.

 

Ano 2013



CARTILHA TIPOGRÁFICA
Caudio Rocha

Cartilha Tipográfica, monotipias de Claudio Rocha.

Na cartilha tipográfica, exposição de monotipias produzidas por Claudio Rocha em letterpress, o acesso à palavra escrita é reconstituído com tipos de madeira e matrizes de imagens. Essas monotipias recriam as associações entre os signos da escrita e as representações gráficas de coisas que se iniciam com as respectivas letras do alfabeto

Na infância, o processo de alfabetização, ou letramento, fecha um circuito de relacionamento com o mundo e nos permite formar palavras mentalmente por meio da visão. A apropriação da escrita surge como realização do intelecto, sendo a cartilha o instrumento pedagógico que introduz as letras de fôrma em nosso universo cultural.

A exposição Cartilha Tipográfica é acompanhada pela edição artesanal da pequena cartilha Lux in tenebris (luz na escuridão), nostalgia tipográfica multicolorida em essência.  



PLANOS MODELADOS
ANDRÉA BARSI
apresentação OscarD'Ambrosio

 "Nas mais diversas manifestações, da performance à pintura, passando por instalações, cerâmica e gravura, Andréa Barsi lida com a modelagem dos materiais. Sacos plásticos costurados, por exemplo, dialogam com pinturas gestuais que vêm crescendo com densidade ao longo de uma trajetória que se alimenta de inquietações internas para abrir amplos portais indagadores." (apresentação de Oscar D’Ambrosio)( Curadoria Priscila Mainieri e Claudio Rocha)

 

O movimento é essencial no pensamento e na obra da artista plástica Andrea Barsi. Nas mais diversas manifestações, da performance à pintura, passando por instalações, cerâmica e gravura, existe o exercício permanente de lidar com a modelagem, entendendo esta como um processo marcado pelo entendimento do espaço como um palco do fazer.

Uma questão fundamental no trabalho de Andrea está na maneira de construir cada obra. Há o conceito permanente de lidar com camadas, seja nas transparências da pintura, nas queimas da cerâmica ou nas possibilidades de impressão de uma gravura. O lúdico se estabelece na construção e manifestação de um pensar/sentir dinâmico e transformador.

As obras não nascem prontas no sentido de serem estáticas enquanto apresentadas. Sua característica mais importante é a mobilização, seja por se transformarem com o passar do tempo, como caminhos feitos com “pedras” coloridas feitas de poliuretano, papel crepom, cola e resina, seja por gerarem, como ocorre na pintura e gravura, inquietações em cada observador.

Cada modelagem no espaço aponta para um mundo de possibilidades. Andrea Barsi oferece perguntas e respostas que se complementam. Sacos de lixos costurados, por exemplo, dialogam com pinturas gestuais que vêm crescendo com densidade ao longo de uma trajetória que se alimenta de inquietações internas para abrir amplos portais indagadores.

Oscar D’Ambrosio é doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e mestre em Artes Visuais pela Unesp. Integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (Seção Brasil).

 

 



"VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA"
PRISCILA MAINIERI

Priscila Mainieri, edita seu protesto aos excessos cometidos por nossos representantes públicos frente às carências sociais do Brasil.  Referencia o povo brasileiro com a força da luta e alegria estampada em cores e formas. Apresenta maquete, instalação, pintura, objeto e fotografia.



ÍCONES PERDIDOS
JULIO BARRETO
CARLOS MATUCK E CLAUDIO ROCHA



A técnica do estêncil existe desde a pré-história. Na antiguidade, era aplicado em objetos e paredes, com caráter ornamental e no início do século XX surgiu renovado nas telas dos pintores modernistas, sendo legitimado pelos artistas da Pop Art na década de1960. Ganhou conotação de movimento urbano cultural e artístico na década de 1980, inicialmente em Paris, depois Nova York e, finalmente, espalhou-se pelo mundo.

Essa forma de expressão, conhecida como graffiti, foi popularizada no Brasil por Alex Vallauri, no final da década de 1970. Junto dele estava Julio Barreto, ainda um menino, curioso e habilidoso. Cresceu respirando a atmosfera da arte de rua daquele período e suas máscaras, tecnicamente bem elaboradas, retratavam o universo das histórias em quadrinhos e da cultura de massa.

No percurso natural da rua para o ateliê, Julio uniu a densidade visual e as texturas do espaço urbano aos exageros, desvios e devaneios da sociedade. Sempre presentes, ícones e personagens, em tramas absurdas ou corriqueiras, são extraídos por seu olhar sensível e inquieto.

 

 

 

 



ESPELHO
PRISCILA MAINIERI

Na série de fotografias "Reconhecer", a  artista coloca frente a frente homem e natureza, como ESPELHO, árvores, flores, raízes,  ao mesmo tempo que revelam situações de conflitos internos, sugerem direções de comportamento.

 

São imagens colecionadas e manipuladas digitalmente com sutileza, sensualidade e emoção.

“ A natureza é muito menos estática do que percebemos, como ESPELHO, reflete o ser humano, em sua viagem interior ao longo da existência, materializada num corpo e mente, em constantes transformações e adequações ”

 

Priscila Mainieri

 

Ano 2012

12/09 A 06/10

PAREDE S/ PAREDE
JAIME PRADES
Texto PAULO KLEIN Curadoria CLAUDIO ROCHA sobre projeto de JAIME PRADES

 Ao longo de quase 30 anos de pesquisa de ateliê e ações de arte de rua, iniciadas nos anos 80 com o grupo Tupinãodá*, Jaime Prades, artista cujos grafismos fazem parte do imaginário das cidades, particularmente de São Paulo, conquistou com sua obra um território único de convivência entre a arte conceitual e a arte de rua.

 

 Sem perder a irreverência da arte de rua suas obras estabelecem relações com os arquétipos primordiais e com o exercício da transformação da violência que permeia as relações coletivas entre muitas outras. Não por acaso seus personagens atuais são os "Pacificadores".

"As ruínas urbanas são testemunhas da voracidade humana. Migalhas do apetite insaciável de um sistema devorador." Jaime Prades

 

http://issuu.com/jaimeprades/docs/parede_s_parede_cat_logo_   virtual

 

18/04 a 02/06

COMPRESSÃO
Priscila Mainieri

Nesta série de trabalhos de Priscila Mainieri, o ato mecânico de comprimir assume uma dimensão temporal. Partindo de papéis e objetos pessoais, acumulados durante anos e enfrentando a difícil tarefa de desfazer-se de referências sentimentais, a artista transforma esses objetos, por meio da compressão plástica e elástica, criando uma obra carregada de emoção, lembranças e recordações. Um volume grande de matéria é modificado e retorna com outro tipo de materialidade, perdendo a referência do registro original. O significado assume outra dimensão e a matéria anterior se apresenta renovada.

As ações repetitivas são condensadas em um único momento, rotinas e percursos são transformados em um único episódio. A percepção de tempo é evidenciada e a forma, em segundo plano, fica carregada de temporalidade.

O resultado final oculta um fazer sensível, que vai além de um flashback. É, ao mesmo tempo, reflexão , conscientização, sossego, transformação.

18/04 a 02/06

É BONITO ISSO?
Claudio Rocha

A técnica da impressão tipográfica evoluiu durante quase cinco séculos, passando pela Revolução Industrial para se tornar uma tecnologia complexa no século XX. A produção de tipos, papéis e tintas acompanhou a evolução dos equipamentos de impressão, permitindo que a qualidade gráfica obtida nesse sistema atingisse padrões absolutos de excelência.

Hoje, essa tecnologia foi amplamente superada e o sistema tipográfico é uma herança que se mantém como forma de arte, ligada principalmente a projetos editoriais de fundo cultural.

As Monotipias Tipográficas se inserem nesse contexto, aproximando as artes gráficas das artes plásticas. Os equipamentos e ferramentas gráficas são colocados a serviço da criação: prelo, tipos de madeira e metal, espátula, rolinho para entintamento manual, estopa, solvente, clichês. Sobreposições, velaturas, decalques, colagem, pressão extra nos cilindros, tudo é usado como forma de expressão. Um estado de imersão intenso conecta livremente a energia criativa com a técnica gráfica e conduz a resultados inesperados.


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