Exposições Atuais

PINTURAS AO QUADRADO - 05/04 A 20/04
ARNALDO PAOLIELLO

textos WALDEMAR ZAIDLER

 

 A série de 16 telas traz a público, pela primeira vez, resultados de uma pequisa formal e conceitual iniciada pelo artista em 2006 e que vem se desenvolvendo em paralelo a paisagens e cenas urbanas sistematicamente aquareladas por mais de quatro décadas. Em busca de uma representação mais afeita ao simbólico do que à mimese, Paoliello invariavelmente inaugura as superfícies de seus quadros com grids quadrados, bases racionais estruturantes que o deixam à vontade para devanear em gestos largos, como se almejasse que tela e tinta, em sua concretude, corporificasse na dimensão da arte os objetos que lhe servem de ponto de partida: outdoors degradados. 

As pinturas ao quadrado de arnaldo paoliello

São, ao primeiro olhar, abstratas. Mas talvez nem tanto, ou não só, se contextualizadas no peculiar percurso de quatro décadas desse artista arquiteto paulistano.

Em 2006 Paoliello começou a fotografar outdoors – grandes painéis sustentados por toscas estruturas, suportes para propagandas –, naquela época remanescentes nas grandes cidades e ao longo de rodovias.
Em São Paulo, já havia algum tempo, anunciavam-se obsoletos, condenados ao desaparecimento por força de lei.

Abandonados, rapidamente os outdoors entraram em degradação, revelando camadas de imagens e signos desconexos. Tais sinais, sucessivamente decalcados pelos impressos superpostos, somados a crostas encruadas, surgiam como arquipélagos pontuando as nuas chapas galvanizadas, cuja justaposição sugeria meridianos e paralelos desenhados cartograficamente.

Nessas superfícies trabalhadas pelo descaso do tempo Paoliello entreviu possibilidades que nele despertaram vivo interesse; as fotografias tornaram-se objeto de ensaios visuais, inicialmente exercícios feitos em computador que, depois de um breve período, migraram para as telas.

Por esses tempos – talvez com o propósito de liberar espaço mental para as insondáveis deambulações investigativas que seus olhares absortos de quando em quando denunciam–, Arnaldo preservava em seu cotidiano uma notável regularidade de atividades: às terças, aquarela; às quartas acrílica sobre papel, e acrílica sobre tela às quintas e sextas; tudo a seu tempo.

Esse ritmado cronograma parece ter sido transportado para a visualidade como preceptiva pictórica: desde então, encantado pelas enxadrezadas entranhas dos outdoors, sistematizou o procedimento de inaugurar as superfícies de suas telas com rígidas grades retangulares, bases racionais que, catárticas, cumpririam, segundo ele próprio, a função de deixá-lo à vontade para devanear em gestos largos e urdir as síncopes propostas pelo acaso, incorporando assim o próprio ato de pintar em sua poética.

Tal congruência entre ser e fazer favoreceu, evidentemente, a construção da personalidade das pinturas realizadas desde então, dentre as quais foram selecionadas as que ora nos são apresentadas: conquanto declaradamente referenciadas no expressionismo abstrato americano, lograram singularidade.

Mas não seria adequado, entretanto, atribuir apenas ao fascínio pelos outdoors as quadrículas estruturantes com as quais Paoliello inicia suas pinturas, pois elas já eram utilizadas, absconsas, antes disso. Aliás, a própria inclusão dos outdoors no repertório de Paoliello deve ser contextualizada no âmbito de suas outras atividades artísticas: produção de paisagens rurais e marítimas em aquarela e de cenas urbanas em acrílica sobre papel; desenhos; arquitetura. Foi na combinação desses precedentes que se cultivou a sofisticação do olhar estetizante que potencializou o outdoor enquanto modelo – elemento recortado da paisagem –, indicando ao artista uma variante para o caminho que sua pintura sobre tela vinha seguindo até então.

Arnaldo diz que esse desvio manifesta-se sobretudo no abandono da figuração, no sumiço de vasos, tesouras, garrafas, frutas, mãos espalmadas que povoavam seus quadriculados, tencionando-os. Com efeito, cumprem agora essa função matérias fundidas à tela, trapos e trecos desvinculados de suas aparências em meio a espessura de camadas sobrepostas; grafismos impressos com carimbos improvisados a partir de revestimentos de pisos ou plástico bolha, sempre delimitando áreas que tendem à retangularidade; esparsos algarismos e letras desempenham também o papel das figuras suprimidas.

Mas mesmo tendo sido o figurativo posto de lado, não seria razoável limitar essa vertente do trabalho de Paoliello ao abstracionismo geométrico, expressionismo abstrato ou qualquer outro rótulo. Sua pintura ainda guarda vínculos diretos com seus modelos – os desaparecidos outdoors outrora fotografados –, tanto na visualidade quanto no processo de confecção; Paoliello recria-os como se tela e tinta, em sua concretude, corporificassem-nos na dimensão da arte. Ainda que sem figura alguma, as obras de Pintura ao Quadrado podem ser vistas como representação poética da realidade, iconograficamente enigmáticas, alegorias do efêmero.

Waldemar Zaidler 
Março, 2018.

 

ARNALDO PAOLIELLO

FORMAÇÃO
• Arquitetura e Urbanismo faculdade de Belas Artes de São Paulo ( 1980/1986 )

CRONOLOGIA
• 1977 – Curso e desenho ateliê Carlos Fajardo

• 1980 – Curso de técnicas de pintura ateliê Rubens Matuck e Feres Koury

• 1986 – XIII Salão de arte jovem de Santos

• 1991 – XIX Salão de arte contemporânea de Santo André

• 1997 – III Salão nacional de Belas Artes de Campinas ( medalha de prata )

• 1999 – Exposição individual show room Giroflex

• 1999 – Salão vinhedence de arte contemporânea

• 2001 – XIII Salão de artes plásticas de praia grande

• 2009 – Exposição individual Etoile Hotels

 

 


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